Fala, Nação! Tudo bem?
Antes de mais nada, peço que me
desculpem pela ausência de textos sobre os jogos contra Figueirense e
Madureira. Confesso à vocês que esta ausência foi fortemente determinada pelo
pouco (e aqui digo pouco por bondade) futebol apresentado nestas duas partidas.
Bom, “tudo bem” até a página
dois, não é? Pelo menos, penso que esse seja o atual sentimento da Nação após
as cenas lamentáveis que vimos na quarta passada.
E não estou falando apenas dos
momentos UFC da partida não, embora tenha sido realmente lamentável o grau de
violência com que o time local atuou.
Não, amigos. Foram sim, de
lamentar, a soberba, a pedância e a arrogância com que atuou nosso time.
E quando me refiro à soberba, pedância
e arrogância, estou descrevendo meramente a postura (ou a falta de) apresentada
pelo time durante os 90 minutos.
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| Ataque emperra em 11 impedimentos e boa atuação do goleiro Sandes (Fonte Jorge Henrique - Futura Press) |
Amigos, no futebol de hoje em
dia, em que muitas vezes chegamos a nos surpreender saudosos de jogadores que
mesmo sendo meia-bomba honravam o preto e vermelho sagrados, não cabe mais
atuar com a mera ilusão de que “ganharemos porque somos o Flamengo, e contra o
Flamengo todos tremem”. No futebol atual, o nivelamento por baixo das equipes,
fruto da escassez cada vez maior de talento, obriga a todos, e em especial
àqueles que almejam conquistas, atuações sempre “corretas”.
E o que seria uma atuação “correta”?
Simples. Atuação correta é aquela onde a postura do time, o chamado “jeito de
jogar” da equipe, efetivamente não se altera em decorrência do (maior ou
menor) grau de exigência.
Atuar com correção é alinhar em
campo seriedade, atenção (durante os 90 minutos), obediência
tática e assertividade.
Vou apresentar a vocês dois
exemplos, a título de esclarecimento, de equipes atuais que se consolidaram
como vencedoras em decorrência de uma sequência de atuações corretas.
Primeiro, o exemplo mais óbvio da
galáxia (sem trocadilho com o seu maior rival): O Barcelona. Como explicar o
fato de o Barcelona de Luís Enrique (o Don Corleone catalão) se mostrar ainda
mais consistente e vencedor do que o Barcelona de Pepe Guardiola, o técnico
atualmente mais indiscutível do futebol mundial? Simples, amigos: Atuações
corretas. Jogue contra o Arsenal, jogue contra o Rayo Valecano (que além de
fraco tem a camisa mais horrorosa da Espanha), o grau de atenção ao time
adversário, de obediência tática, de acerto na execução do que se propõe e,
principalmente, de seriedade em campo é sempre, sempre o mesmo. Ou vocês
acham que é à toa que vêm aquelas goleadas sonoras, uma atrás da outra, sobre
os nanicos espanhóis? Isso é levar à sério o adversário. Todos os
adversários.
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| Luis Enrique comanda o melhor elenco do mundo sempre com seriedade (Fonte Reuters) |
É claro que nesse momento vocês
estão lendo estas linhas e respondendo mentalmente: “Usar o Barcelona como
exemplo é fácil, levando em conta o nível técnico do time”. E eu concordo
plenamente com vocês. Por isso, escolhi como segundo exemplo de atuações
corretas aquela que seja talvez a grande surpresa do mundo futebolístico não
apenas desta temporada como de muitos anos: O inglês Leicester.
Aqueles que acompanham a Première
League sabem muito bem que, nas condições normais de temperatura e pressão, o
Leicester teria como objetivo da temporada a simples permanência na primeira
divisão do futebol britânico. Com um investimento ínfimo se comparado aos
gigantes ingleses, e com a contratação do técnico Cláudio Ranieri (que havia
tido um fracasso monumental com a Grécia em seu último trabalho), nada se
poderia esperar do time, além do papel de “bônus” na Première. Então, como é
que esse pequeno se agigantou tanto no campeonato que, particularmente,
considero por vários aspectos o melhor do mundo tecnicamente falando? Atuações
corretas. Assistam a alguns jogos deles, e vocês verão como uma vitória fora de
casa, por 1 a 0, pode ser considerada acachapante quando percebemos que,
durante os 90 minutos o time deles raramente (ou muito frequentemente nunca) deixou
de ter o domínio da partida, em muitas delas sequer sendo minimamente incomodado
pelo adversário. Mágica? Claro que não. Assertividade. Foco. Tática. Seriedade.
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| Nanico? Menos investimentos? O pequenino Leicester se agiganta a cada jogo (Fonte Reuters) |
E onde eu quero chegar com toda
essa discussão?
Bom, meus amigos, para não me
alongar ainda mais na análise, vou resumir em uma frase: Eu (e acho que posso
usar o infame mas neste caso aplicável complemento “...e a torcida do Flamengo”)
queremos o Flamengo correto!
Não podemos mais assistir
apresentações do time onde vários jogadores se mostrem alheios às
circunstâncias, como se estivessem em campo apenas fisicamente, mas com as
mentes aparentemente em outra dimensão! Não podemos mais assistir o time
atuando nas quatro linhas com a empáfia de quem pensa “ah, sem pressão, somos
melhores, então resolvemos o jogo a qualquer hora”! Precisamos mostrar que
damos o máximo sempre, em quaisquer circunstâncias, porque assim é o Flamengo!
Ganhamos inúmeros títulos com viradas históricas, com gols nos acréscimos
antológicos, com superações épicas, não apenas porque tínhamos bons jogadores
(em muitas destas ocasiões não tínhamos!), mas porque a natureza flamenga é a
de luta! Lembrem-se sempre: “Vencer, vencer, vencer”!
É óbvio que o Flamengo “correto”
ainda demanda muita coisa além da postura em campo. Demanda a chegada de um
zagueiro de nível técnico compatível com o de Juan, para que possamos parar de
ter uma zaga capenga, onde um zagueiro acaba tendo que atuar por dois. Demanda a
substituição (ainda que temporária) de peças que não vêm produzindo já a algum
tempo, como Paulo Victor (novamente mal posicionado no gol adversário), Jorge (cujo
nível das atuações vem sendo desde o início do ano bem abaixo de sua
capacidade, mostrada em 2015) e Sheik (por maior que seja sua entrega em campo,
tecnicamente vive momento muito distante de seu melhor futebol, prendendo
demais a bola e sendo pouco efetivo nas jogadas pelo lado de campo para
conclusão do centroavante). Enfim, demanda especialmente tempo e paciência para
que Muricy possa dar “cara de time” ao elenco.
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| Mais uma apresentação apática tecnicamente de Sheik (Fonte Jorge Henrique - Futura Press - Estadão Conteúdo) |
Entretanto meus amigos, não
podemos, de jeito nenhum, prescindir daqueles fatores da correção que já
discutimos acima, especialmente da seriedade. E claramente, neste jogo
contra o Confiança, estivemos muito, mas muito longe de jogarmos com seriedade.
Nos entregamos à euforia,
mulambada. Muita festa na chegada, maioria de torcida no estádio, todos falando
em ganhar bem para eliminar o jogo da volta; tudo normal levando-se em conta o
tamanho não só do Mengão, mas também do amor da torcida do Sergipe por ele. Mas
nada, repito, nada que justificasse o time se deixar contaminar por esta
euforia. Já tomamos maracanazo do América do México, já tomamos empate do
Olímpia depois de estar ganhando de 3, já perdemos Copa do Brasil para o Santo
André, ou seja, deveríamos estar mais do que calejados quanto às consequências de
nos deixarmos levar pela euforia. Toda euforia leva à debilidade.
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| A festa da Nação sergipana foi sensacional (Fonte João Áquila - Globoesporte.com) |
Agora, o jeito é aprender a lição
(tomara que de uma vez por todas), retomar o caminho do “aqui é trabalho” para
voltar ao foco e seriedade máximos, e partir para cima do Fluminense domingo
para que o tropeço de quarta seja lembrado como o momento que serviu para “endurecer
a casca” do elenco que acabou se tornando, ao final da temporada, vitorioso.
E vamos lotar o Pacaembu (quase
30 mil ingressos já vendidos), só para deixar claro para todos quem é a maior
torcida do mundo, e o porquê dela fazer a diferença!
Vamos, Flamengo! Levanta a cabeça, e vai que tô te
vendo!
Abração!
SRN





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