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sábado, 19 de março de 2016

Toda Euforia leva à Debilidade

Fala, Nação! Tudo bem?

Antes de mais nada, peço que me desculpem pela ausência de textos sobre os jogos contra Figueirense e Madureira. Confesso à vocês que esta ausência foi fortemente determinada pelo pouco (e aqui digo pouco por bondade) futebol apresentado nestas duas partidas.

Bom, “tudo bem” até a página dois, não é? Pelo menos, penso que esse seja o atual sentimento da Nação após as cenas lamentáveis que vimos na quarta passada.

E não estou falando apenas dos momentos UFC da partida não, embora tenha sido realmente lamentável o grau de violência com que o time local atuou.

Não, amigos. Foram sim, de lamentar, a soberba, a pedância e a arrogância com que atuou nosso time.

E quando me refiro à soberba, pedância e arrogância, estou descrevendo meramente a postura (ou a falta de) apresentada pelo time durante os 90 minutos.

Ataque emperra em 11 impedimentos e boa atuação do goleiro Sandes (Fonte Jorge Henrique - Futura Press)

Amigos, no futebol de hoje em dia, em que muitas vezes chegamos a nos surpreender saudosos de jogadores que mesmo sendo meia-bomba honravam o preto e vermelho sagrados, não cabe mais atuar com a mera ilusão de que “ganharemos porque somos o Flamengo, e contra o Flamengo todos tremem”. No futebol atual, o nivelamento por baixo das equipes, fruto da escassez cada vez maior de talento, obriga a todos, e em especial àqueles que almejam conquistas, atuações sempre “corretas”.

E o que seria uma atuação “correta”? Simples. Atuação correta é aquela onde a postura do time, o chamado “jeito de jogar” da equipe, efetivamente não se altera em decorrência do (maior ou menor) grau de exigência.

Atuar com correção é alinhar em campo seriedade, atenção (durante os 90 minutos), obediência tática e assertividade.

Vou apresentar a vocês dois exemplos, a título de esclarecimento, de equipes atuais que se consolidaram como vencedoras em decorrência de uma sequência de atuações corretas.

Primeiro, o exemplo mais óbvio da galáxia (sem trocadilho com o seu maior rival): O Barcelona. Como explicar o fato de o Barcelona de Luís Enrique (o Don Corleone catalão) se mostrar ainda mais consistente e vencedor do que o Barcelona de Pepe Guardiola, o técnico atualmente mais indiscutível do futebol mundial? Simples, amigos: Atuações corretas. Jogue contra o Arsenal, jogue contra o Rayo Valecano (que além de fraco tem a camisa mais horrorosa da Espanha), o grau de atenção ao time adversário, de obediência tática, de acerto na execução do que se propõe e, principalmente, de seriedade em campo é sempre, sempre o mesmo. Ou vocês acham que é à toa que vêm aquelas goleadas sonoras, uma atrás da outra, sobre os nanicos espanhóis? Isso é levar à sério o adversário. Todos os adversários.

Luis Enrique comanda o melhor elenco do mundo sempre com seriedade (Fonte Reuters)

É claro que nesse momento vocês estão lendo estas linhas e respondendo mentalmente: “Usar o Barcelona como exemplo é fácil, levando em conta o nível técnico do time”. E eu concordo plenamente com vocês. Por isso, escolhi como segundo exemplo de atuações corretas aquela que seja talvez a grande surpresa do mundo futebolístico não apenas desta temporada como de muitos anos: O inglês Leicester.

Aqueles que acompanham a Première League sabem muito bem que, nas condições normais de temperatura e pressão, o Leicester teria como objetivo da temporada a simples permanência na primeira divisão do futebol britânico. Com um investimento ínfimo se comparado aos gigantes ingleses, e com a contratação do técnico Cláudio Ranieri (que havia tido um fracasso monumental com a Grécia em seu último trabalho), nada se poderia esperar do time, além do papel de “bônus” na Première. Então, como é que esse pequeno se agigantou tanto no campeonato que, particularmente, considero por vários aspectos o melhor do mundo tecnicamente falando? Atuações corretas. Assistam a alguns jogos deles, e vocês verão como uma vitória fora de casa, por 1 a 0, pode ser considerada acachapante quando percebemos que, durante os 90 minutos o time deles raramente (ou muito frequentemente nunca) deixou de ter o domínio da partida, em muitas delas sequer sendo minimamente incomodado pelo adversário. Mágica? Claro que não. Assertividade. Foco. Tática. Seriedade.

Nanico? Menos investimentos? O pequenino Leicester se agiganta a cada jogo (Fonte Reuters)

E onde eu quero chegar com toda essa discussão?

Bom, meus amigos, para não me alongar ainda mais na análise, vou resumir em uma frase: Eu (e acho que posso usar o infame mas neste caso aplicável complemento “...e a torcida do Flamengo”) queremos o Flamengo correto!

Não podemos mais assistir apresentações do time onde vários jogadores se mostrem alheios às circunstâncias, como se estivessem em campo apenas fisicamente, mas com as mentes aparentemente em outra dimensão! Não podemos mais assistir o time atuando nas quatro linhas com a empáfia de quem pensa “ah, sem pressão, somos melhores, então resolvemos o jogo a qualquer hora”! Precisamos mostrar que damos o máximo sempre, em quaisquer circunstâncias, porque assim é o Flamengo! Ganhamos inúmeros títulos com viradas históricas, com gols nos acréscimos antológicos, com superações épicas, não apenas porque tínhamos bons jogadores (em muitas destas ocasiões não tínhamos!), mas porque a natureza flamenga é a de luta! Lembrem-se sempre: “Vencer, vencer, vencer”!

É óbvio que o Flamengo “correto” ainda demanda muita coisa além da postura em campo. Demanda a chegada de um zagueiro de nível técnico compatível com o de Juan, para que possamos parar de ter uma zaga capenga, onde um zagueiro acaba tendo que atuar por dois. Demanda a substituição (ainda que temporária) de peças que não vêm produzindo já a algum tempo, como Paulo Victor (novamente mal posicionado no gol adversário), Jorge (cujo nível das atuações vem sendo desde o início do ano bem abaixo de sua capacidade, mostrada em 2015) e Sheik (por maior que seja sua entrega em campo, tecnicamente vive momento muito distante de seu melhor futebol, prendendo demais a bola e sendo pouco efetivo nas jogadas pelo lado de campo para conclusão do centroavante). Enfim, demanda especialmente tempo e paciência para que Muricy possa dar “cara de time” ao elenco.

Mais uma apresentação apática tecnicamente de Sheik (Fonte Jorge Henrique - Futura Press - Estadão Conteúdo)

Entretanto meus amigos, não podemos, de jeito nenhum, prescindir daqueles fatores da correção que já discutimos acima, especialmente da seriedade. E claramente, neste jogo contra o Confiança, estivemos muito, mas muito longe de jogarmos com seriedade.

Nos entregamos à euforia, mulambada. Muita festa na chegada, maioria de torcida no estádio, todos falando em ganhar bem para eliminar o jogo da volta; tudo normal levando-se em conta o tamanho não só do Mengão, mas também do amor da torcida do Sergipe por ele. Mas nada, repito, nada que justificasse o time se deixar contaminar por esta euforia. Já tomamos maracanazo do América do México, já tomamos empate do Olímpia depois de estar ganhando de 3, já perdemos Copa do Brasil para o Santo André, ou seja, deveríamos estar mais do que calejados quanto às consequências de nos deixarmos levar pela euforia. Toda euforia leva à debilidade.

A festa da Nação sergipana foi sensacional (Fonte João Áquila - Globoesporte.com)

Agora, o jeito é aprender a lição (tomara que de uma vez por todas), retomar o caminho do “aqui é trabalho” para voltar ao foco e seriedade máximos, e partir para cima do Fluminense domingo para que o tropeço de quarta seja lembrado como o momento que serviu para “endurecer a casca” do elenco que acabou se tornando, ao final da temporada, vitorioso.

E vamos lotar o Pacaembu (quase 30 mil ingressos já vendidos), só para deixar claro para todos quem é a maior torcida do mundo, e o porquê dela fazer a diferença!

Vamos, Flamengo! Levanta a cabeça, e vai que tô te vendo!

Abração!

SRN



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