O maior clássico do mundo, uma
rivalidade que ultrapassa as barreiras do imaginário, duas torcidas apaixonadas
e uma história espetacular. Corinthians e Palmeiras se enfrentarão neste
domingo (3) no templo sagrado do futebol, o Pacaembu. Palco onde as duas
equipes já se enfrentaram em diversas vezes.
Há um enorme tabu. O
Palmeiras não ganha do Corinthians no Pacaembu desde 1995. E era para ser
mantido isso por muito tempo, pois os dois times não jogam mais lá... Mas
devido há diversas intervenções no Allianz Parque teremos muitos Derby’s no
Pacaembu pelo visto.
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| Homenagem ao Doutor Sócrates no ultimo jogo do Brasileirão de 2011. Fonte: Lance |
Há diversas hipóteses sobre
o início dessa rivalidade, porém o que leva este clássico a ter a importância
que sempre teve são dois fatores.
Embora muitos historiadores
palmeirenses negarem, um dos motivos dessa história de ódio foi que um grupo de
italianos que saiu do Corinthians e foi ajudar na formação do Palestra Itália
em 1914. Em 1915, quando houve uma das maiores rasteiras da história do futebol
(Comento sobre isso neste texto), muitos jogadores do Corinthians foram
“obrigados” a defender outros clubes inclusive dando uma força para
consolidação do Palestra. Segundo registros históricos não oficiais, o Corinthians nunca perdoou os “traidores” (aqueles
que nessa bagunça de 1914/1915 não voltaram para o Time do Povo), dando origem
a um sentimento que só os Corintianos e Palmeirenses sabem explicar.
Outro motivo importante foi
a luta de classes. Nesse período histórico que estamos comentando foi a época
em que mais se houve imigração dos italianos para o Brasil, os mais humildes se
familiarizaram com o Corinthians que eram os italianos plebeus. Já os italianos
"elitistas" escolheram o Palestra.
Uns dizem que é lenda, mas essa
história é sensacional, a famosa “Canja do Porco” é mais um conto que faz do
clássico diferente de todos os outros no futebol.
Em 1918, antes de uma
partida, os jogadores do Palestra compraram um osso e atiraram na vidraça da
pensão onde a delegação corintiana almoçava. Nele havia um bilhete com a
seguinte frase: “O Corinthians é canja pro Palestra”. No jogo, o Palestra
chegou a estar na frente duas vezes, mas cedeu o empate, por 3 a 3. O
Corinthians acabou conquistando o título daquele ano.
Contagiado pela
infelicidade do seu maior rival, o osso foi guardado na galeria de troféus do
Timão, completando a frase tão petulante, escrita pelos adversários, servindo
como resposta e acendendo a faísca deste grande encontro de clubes: “O Palestra
é osso duro de roer... Mas com ele fizemos uma boa canja. ”
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| O osso que nunca cozinhou, uma lembrança da supremacia alvinegra no derby. Fonte: Desconhecido |
Um fato que poucas pessoas
sabem é que em 1969, dois jogadores do Timão numa infelicidade faleceram e o
clube teve de pedir para a Federação Paulista a inscrição de mais dois atletas
para a continuidade do campeonato. Somente o presidente do Palmeiras, Delfino
Facchina, votou contra. O que motivou o presidente do Corinthians, Wadih Helu,
a chamar os palmeirenses de "porcos" devido sua atitude. Foi a senha
para a torcida do Corinthians. Para protestar contra a “sujeira” palmeirense, a
Fiel soltou um porco no Morumbi e gritou em provocação “dá-lhe porco”. Em 1986,
a torcida do Palmeiras acabou aceitando a provocação e tornou o porco como
símbolo, “mascote” e coro da equipe.
Na história do derby mesmo
diante de tanto ódio, de tanta rivalidade enraizada, os dois times já tiveram
que se unir por diversas vezes. Inclusive, uma delas para salvar o São Paulo FC
de uma falência. O famoso "Jogo das Barricas".
A batalha em campo, por sua
vez, continua da mesma forma. Jogo sempre muito pegado, muitas faltas, cartões
e provocações. Fora das quatro linhas sempre foi um clássico que deixa os
nervos acirrados, deixa torcedores e jogadores ansiosos dias antes da partida.
No confronto geral,
realmente, devemos reconhecer que não estamos na frente. São 120 vitórias para
o Corinthians, 107 empates e 122 derrotas. Mas se tomássemos os números a
partir do momento em que o rival mudou de nome, em 1942, veríamos ampla
vantagem do Coringão. (Imaginem o quão freguês o São Paulo seria se contássemos
todos os jogos antes de se tornar São Paulo...)
Também possuímos os quatro
principais goleadores: Claudio (21 gols), Baltazar (20 gols), Luizinho (19 gols)
e Teleco (15 gols).
Sempre bom lembrar que em
1942, data de refundação compulsória do rival, disputamos cinco vezes o Derby.
Em 28/3, vencemos por 4 a 1. Em 27/5, por 4 a 1 novamente. Em 28/6, empatamos
em 1 a 1. Em 15/7, vencemos por 4 a 2. E em 4/10, vencemos por 3 a 1.
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| Romarinho fazendo iso. Fonte:Gazeta Press |
As maiores glórias do rival
sobre o Timão foram nos pênaltis, ou seja, após resultados iguais. E isso é
razão de vida para eles. Não estou desmerecendo, muito pelo contrário, apenas
falando-se verdade.
E é o maior clássico do
Brasil incontestavelmente, as duas torcidas nunca se uniram para dar risada de
uma situação adversa de um clube gaúcho. Coisa que é fácil de se ver quando as
torcidas gaúchas intituladas a maior rivalidade do Brasil se unem para torcer
contra o Corinthians.
A história não acabou, vem
muita coisa pela frente. Ainda mais para este que é o maior clássico do Brasil,
perto de completar seu centenário. E o Corinthians precisa de 3 vitórias para
virar esse retrospecto negativo.
Por Isaque Domingos




paguem as marmitas
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