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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cachaça

Hoje, 4 de abril, comemoramos os 107 anos do glorioso Sport Club Internacional. Sendo assim, gostaria de pedir licença para postar um texto escrito por mim quando da reinauguração do estádio Beira-Rio. Esse texto sintetiza um pouco nossa história e minha paixão por esse clube.
Foto: Sport Club Internacional

Nasci no dia 12 de abril de 1993, sendo assim, faz quase 23 anos que sou colorado, por incentivo louco do senhor Vladimir Lopes, vulgo irmão mais velho. Bem mais velho. Na época ele tinha 25 anos, o que fez com que eu fosse agraciado até o final da vida com dois pais. E também fui incentivado pelo, igualmente louco, Bionir Motta, este do qual me fiz presente em seus bagos até o momento que decidiu me colocar em um útero. O seu Bionir, que desde 93 tenho a felicidade de chamar de pai, em 1968 ganhou o primeiro filho e o que fez? Foi no jogo do Inter. Óbvio. E o que vocês esperavam do filho de um cara que faz uma dessas? Uma paixão, no mínimo, igual. E é.
Logo que eu nasci já fui eliminado de uma Libertadores na primeira fase. O tempo era difícil. Pra quem conhece a história, sabe que alguém que nasceu na mesma época que eu não tinha como ter uma infância e inicio de adolescência feliz se fosse colorado. E desde o meu nascimento até o início da Era Fernando Carvalho em 2002, eu vi apenas um título (Não conto o Gauchão de 1994, pois eu só conseguia dormir, comer e chorar). Só podia me orgulhar daquela conquista. E essa conquista foi o campeonato gaúcho de 1997. Eu nem ao menos me recordo do dia da final. Mas meu irmão comprou um VHS sobre o jogo e ainda é o filme que mais assisti na vida. E o que mais me deu orgulho. Tive que aturar o rival ganhar copa do Brasil, jogar Libertadores, ganhar Gauchões e mais ainda, ver o Inter ter como touca o Juventude, ser eliminado tomando 4x0 do time caxiense, pelo América de minas, pelo Fortaleza, chegar perto de títulos, mas não vencer e ainda no ano dos nossos 90 anos quase ser rebaixado. Mas eu ainda tinha aquele VHS.
Ontem durante a festa de reinauguração do Beira-rio, me vi chorando copiosamente. E não foi no gol do Tinga contra o São Paulo, nem no do Giuliano contra o Estudiantes, o do Nilmar contra o mesmo adversário de La Plata, nem nas homenagens a nossa criação, ao nosso estádio se erguendo, nem com a escoliose que o Iarley provocou no Puyol que fez com que o Gabirú nos desse a maior glória. Me peguei chorando copiosamente quando o Fabiano disse que não conseguiram dar um título importante pra torcida, mas que tentaram. Aí voltei para os anos 90. Aí voltei para aquele VHS.
Realmente o Fabiano não nos deu nenhum título importante. Não foi campeão brasileiro, nem da América, muito menos do mundo, mas ele deu esperança para uma geração que conheceu o amargo da derrota. Fez com que acreditássemos que aquilo tudo iria passar, que o que era nosso estava reservado, que voltaríamos a ser grandes. E eu acreditei. E mesmo quando o seu Vladimir me chamou e disse: 'Ó, nós vamos jogar contra o Barcelona, nossa chance de ganhar é de uns 30%. Se perder, não fica triste tá? A gente já chegou muito longe'. Eu continuei acreditando. E acreditei por causa do André, do Enciso, do Gamarra, do Jesus Christian, do Sandoval, do Fernando. E do Fabiano. O 'Uh!' Fabiano. O Fabiano Cachaça.


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