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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Larry, o Cerebral

Quando eu tinha 12 ou 13 anos, as emissoras de tv tinham inúmeros programas de variedades e foi em um destes que conheci um comentarista de fala mansa e agradável e sem nenhum sotaque.

Depois de um tempo, fiquei sabendo que aquele senhor era um ex-jogador de um período nobre da História do Inter - vivíamos nossas "vacas magras" que, contrastadas com a opulência do eterno rival na época, apenas salientava a magreza de nossas vacas.

Aquele senhor havia marcado a História do Inter por ser um atacante clássico em uma época em que os gramados não tinham os tratamentos científicos que tem hoje. Sua vocação pelo gol, em um período em que não havia  nem competição nacional muito menos sulamericana, tinha uma predileção especial: os clássicos GreNal. Os confrontos, ocorridos tanto no estádio da Baixada* quanto nos Eucaliptos* serviram para coroar de êxito a trajetória daquele atacante franzino e, como exemplo, ficou para a História a goleada de 6 a 2 na inauguração do Olímpico, com 4 gols seus.

Os mais antigos comparam a dupla Larry/Bodinho com a dupla santista Pelé/Coutinho e eles falam com conhecimento de causa, uma vez que viram a História sendo escrita com a bola e não há registro além de seus depoimentos e suas memórias. Portanto, acreditemos nestes senhores. Quando encontrar um destes torcedores, faça um favor a si mesmo, a ele e a História: peça-o para contar suas impressões daquela época. De como era viver o futebol naquela época. Aproveite, pois virão relatos deliciosos. Se der sorte, ouvirá a respeito de gols antológicos como o do "plano inclinado" ou mesmo sobre como atuavam times como o Rolo Compressor.

Possivelmente, em muitas delas, estará este atacante clássico, que jogava de cabeça erguida, definidor e pensador das tramas durante o jogo, talvez tenha sido este motivo para ter recebido o epíteto de "Cerebral".





Recebeu as homenagens do clube que o consagrou, e que ajudou a consagrar, em vida, nos mais diversos eventos.

Nosso ídolo nos deixou na sexta-feira, dia 06 de maio,  e como primeira homenagem póstuma recebeu uma "salva de palmas" da torcida na segunda partidas das finais do Gauchão 2016. A outra homenagem, veio dos jogadores, foi a vitória de 3 a 0 e a conquista do hexacampeonato regional, repetindo um feito da época dele. Em meio ao jogo, eu e meu pai descobrimos que tivemos oportunidades de conversar com este ídolo em lugares públicos e não aproveitamos. Uma pena.


                                             www.felipevieira.com.br
                                                             
Larry, o Cerebral
Obrigado por tudo.

*aos mais novos, estes eram os nomes dos estádios de Grêmio e Inter, respectivamente, antes mesmo do Olímpico e do Beira-Rio.



Por: Ulisses B. dos Santos

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