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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Desvendando a Fórmula 1600

Quando comecei a frequentar Interlagos,por volta de 2014, os carros que mais me chamavam atenção eram uns fórmulinhas, pequenos, ágeis e que sempre tiveram um grid gigantesco. Eu comentava com meu pai que eles pareciam os "Fórmula 1 do Fangio e do Moss". Ver um fórmula pequeno, pneus finos e nenhuma aerodinâmica, me faziam fantasiar sobre a época romântica da F1.

Era a F1600, categoria em que farei minha estréia no automobilismo no ano de 2019. Nesses 5 anos, aprendi muito sobre o esporte. Principalmente sobre como é difícil de ter acesso à informação nas categorias regionais do automobilismo brasileiro.

Por isso, começo minha série de textos sobre essa jornada dando mais detalhes e explicando como é essa categoria que desperta tanta curiosidade para todos que conhecem o esporte.

A F1600 integra o Campeonato Paulista de Automobilismo organizado pela FASP. Por isso, grande parte das etapas são no Autódromo de Interlagos. No entanto, já é tradição provas extras em  Londrina e no Velo Cittá, em Mogi Guaçu. Esse último inclusive, faz parte do calendário oficial da categoria na temporada 2019.





Carro

O carro da 1600 é construído sob um chassi tubular em aço batizado de Mangusto R5. A suspensão é derivada do Fusca, na dianteira e na traseira. Freios são a disco nas quatro rodas que são de aro 15 e calçadas com pneus radiais Momo na medida 195/50.

Esse chassi é o mesmo utilizado pela Fórmula Vee, no entanto, a diferença mecânica faz com que os carros fiquem visualmente diferentes também. Enquanto a Vee utiliza um motor Volkswagen, a 1600 carrega um motor Ford Zetec 1.6 de 8V e 122 cv. Apesar da mesma cilindrada, o bloco Ford é um pouco maior que o VW e faz com que o radiador seja deslocado para a lateral do carro, enquanto o Vee carrega o sistema de arrefecimento na traseira.

Esse deslocamento faz com que o 1600 adote os sidepods que chamam bastante atenção visualmente e também uma leve diferença dinâmica.




Todo o conjunto pesa cerca de 500 kg. Por regulamento, os carros devem ter no mínimo 590 kg com o piloto. Adicione na receita o câmbio de quatro marchas derivado também do Fusca e aí está o seu Fórmula 1600.

Na pista isso reflete em um carro ágil e muito responsivo. Seu corpo fica bem próximo do assoalho, o motor logo atrás da sua nuca fazem a experiência intensa a cada troca de marcha. Cada reação do carro é transmitida automaticamente para o seu quadril.

Com o vácuo, o 1600 consegue ultrapassar os 200 km/h e virar na casa de 1 minuto e 57 segundos em Interlagos

Categorias

Existem duas categorias dentro da F1600: a Light e a Super. Ambas elas disputam dois treinos livres, um classificatório e duas corridas. Com carros iguais, o que as diferencia é a experiência do piloto. A Light é para pilotos estreantes ou com menos de 3 anos de categoria e não foram campeões. Cumprindo esses dois requisitos, o piloto já pode participar da Super. O grid é o mesmo para as duas com premiação do 1º ao 6º de cada categoria.

Baixo custo

Outro destaque da categoria é o baixo custo. Por conta das diferentes equipes que possuem carros na 1600, ele pode variar, mas fica na média de R$ 7 mil a R$ 10 mil por etapa.



Na primeira etapa, realizada nos dias 25 e 26 de janeiro, o grid foi composto por 18 carros. Um bom grid para a realidade, mas ainda longe do recorde de 32 carros que alinharam para uma etapa em 2016. 

Ainda assim, a F1600 se mostra uma ótima opção para diversos perfis de pilotos: seja alguém começando uma carreira ou alguém que quer se divertir e buscar uma fuga no final de semana. Ela abraça todos democraticamente e sempre dando em troca um grande sorriso.

Texto: Iago Garcia
Fotos: Julio D' Paula


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