"De braços abertos vou me declarar, eu amo você Palmeiras"!!!
Emoção como há tempos não se via!

Passei o dia tentando não lembrar do jogo. A ansiedade batia forte havia uma semana... não sabia se o coração iria aguentar... o cérebro tentava controlar o corpo enviando mensagens de "Foda-se se perder, o importante é competir"... o coração respondia "Perder o kralho, tem que ganhar desses imundos".
O cérebro tentava novamente "Não vai acabar o mundo, é só um começo de trabalho, esse time é para o ano que vem!"... a resposta do coração era imediata "Vai acabar sim, lembre-se da imprensa Gambá tripudiando nossa história!".
Esta disputa se estendeu até eu ter a coragem de ligar a televisão, o jogo já havia começado, e no placar estava 1 x 0... o Coração entrou em ritmo de escola de samba, os lábios simularam um pequeno sorriso e o pulmão deixou escapar um suspiro profundo... nada de alívio, apenas alguns minutos de jogo haviam sido jogados... estava só começando!
Percebi que o Danilo estava em campo... "esse FDP sempre apronta em clássico"... o Coração já começava a brigar com o Cérebro novamente, e a disputa interna entre eles começou a afetar o estômago que, com históricos de gastrite, já reclamava em forma de pontadas.
Foi quando aconteceu o empate... os olhos tentaram buscar uma bandeira levantada, os ouvidos tentando escutar um apito de falta... algo que anulasse o lance... sem sucesso... estava empatado e a profecia do Danilo em clássico se concretizava.
Nem mal havia me recuperado do empate quando a virada aconteceu e, pela primeira vez no dia, o Cérebro e o Coração se abraçaram e, voltados para o mesmo objetivo, juntos, gritaram "Vamos virar esta porra!!! Não pode acabar assim!!! O Palmeiras é Grande!!!"
Segundo tempo e o Palmeiras volta modificado... a tensão aumentava em cada lance, em cada dividida, cada passe... agora, unidos, todos os órgãos do meu corpo estavam determinados a comemorar a classificação.
Eu não estava sozinho nesta guerra, nesta luta corporal... acredito que esta energia veio de 18 milhões de Palmeirenses espalhados pelo Mundo e foi como um combustível que alimentou os Guerreiros que estavam em terras inimigas...
Dudu corta para dentro, enxerga Rafael Marques entrando por trás da defesa e, num cruzamento perfeito, numa cabeçada perfeita, por fim o empate aconteceu!!! ... neste momento não consegui entender os sinais que meu corpo enviou... a voz não saiu, o braço formigava, a respiração estava presa... minha mulher perguntou se não iria comemorar... eu queria chorar, mas nada em meu corpo obedecia... apenas levantei os punhos para o alto... não queria perder a concentração, como se isso fosse cortar as energias enviadas ao time do Palmeiras.
Fim do jogo normal... um alívio seguido de tensão e o Coração dizendo ao corpo que não aguentaria tanta pressão.
Fui para fora de casa buscar conforto no silêncio da rua... tinha certeza que não voltaria para casa antes da disputa de pênaltis terminar... o Coração, que já presenciou várias disputas desde 1974, conseguiu convencer o Cérebro de que seria melhor assim.
Escutei um grito de euforia numa casa vizinha e na janela apareceu um cidadão com uma bandeira na mão, estava escuro e não consegui identificar de quem era, mas quase certeza de que era dos Gambás... mas realmente não queria saber... os minutos seguintes se seguiram em silêncio, até que houve uma gritaria generalizada, uma explosão de gritos...
Voltei correndo para casa e ao abrir a porta vejo na TV os jogadores do Palmeiras correndo e vibrando pelas terras inimigas... havíamos vencido a batalha e meu Coração sobreviveu mais uma vez!!!
A adrenalina ainda não abaixou, fui dormir tarde ontem, não queria que aquele dia terminasse... acordei feliz para trabalhar hoje as 6h00 da manhã, sem arrependimento de dormir tarde, sem raiva de ter que trabalhar no meio do feriado... sem nenhuma resistência, a cama me expulsou, e a segunda-feira se apresentou maravilhosa!!!
De braços abertos... eu amo você Palmeiras!!!
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