Há quem nasce para brilhar de uma forma tão surreal e inimaginável que todos que rodeiam as estrelas acabam por se tornar meros coadjuvantes. Contudo, nesta história havia uma estrela tão importante quanto as outras dez presentes, tão craque como o camisa 10, tão forte quanto o melhor batedor de faltas, tão incrível quanto o artilheiro, tão eterno quanto Roberto Batata....
Cada guerreiro que vestiu o manto celeste naquele ano de 76, com certeza será sempre lembrado em nossa história e nossos corações, por todos os feitos, todas as lágrimas, as tristezas, os sorrisos, a bravura, a superação, a garra e acima de tudo o sonho realizado.
A adrenalina ainda percorre o fluxo sanguíneo somente de relembrar o momento exato em que Joãozinho se tornou o irresponsável mais genial da história do Cruzeiro. Ele era o nosso 'Bailarino', o ponta-esquerda que tirava os adversários para dançar, que fazia golaços e mais golaços, não tão incrível e marcante como o que será focado neste texto, mas ele era conhecido só por isso ou tudo isso...
Quarenta e dois minutos, restam três minutos. É marcar esse Gol e o Cruzeiro descer a mão no caneco, torcedor do Brasil. Toma a posição Nelinho. Agora sim! Agora sim! A barreira atrasa. O juiz vai autorizar. Nelinho vai tentar o 'pé de chumbo'. Ajeitou a bola no terreno. O JUIZ AUTORIZOU. A equipe do River catimba. Isso é bom! Nelinho está descansando neste momento, porque agacha, mete a bola no lugar exato. O juiz vai lá, mete a bola mais para trás. O jogador argentino reclama, fica na frente da bola. Bastante catimbado. A bola é boa! É NELINHO QUE TEM QUE BATER!! Teve que se afastar, tomar posição. Levou um gringo com bola e tudo pra dentro GOOOL. ADVINHE! AAAAAADVINHEEEEE! JOÃOZINHOOO PELO AMOR DE DEUS JOÃOZINHO. VOCÊ JOÃOZINHO, JOÃOZINHO... FAZ COM QUE ROBERTO BATATA LÁ NO CÉU ABRACE-O AQUI NA TERRA, JOÃOZINHO. NESTE MOMENTO, EU ME LEMBRO DE ROBERTO BATATA, ELE QUE TANTO LUTOU NESTA LIBERTADORES PELO CRUZEIRO. FAZ O GOL QUE O BRASIL ESTÁ COMEMORANDO. Vamos agora esperar, torcedor do Brasil, e o Cruzeiro faz e coloca a faixa sobre o túmulo do jogador Roberto 'Batata' Aparecido. Cruzeiro 3x2 River Plate. River quer brigar, mas O CRUZEIRO GANHA NO FUTEBOL. Todos se preocuparam com o Nelinho, uma catimba terrível, o Joãozinho de curva, de maneira SEN-SA-CI-O-NAL! Vem a taça da Libertadores da América para o Brasil.
Naquele dia eu estava apenas nos planos de Deus, meu pai tinha 6 anos, não era ligado ao futebol, nem mesmo mais tarde seria ligado ao Cruzeiro. Mas meu destino estava traçado, minha história já estava escrita, apenas esperando o tempo completar o ciclo da vida e dar início a minha jornada, ainda que longe de solos mineiros, sendo enraizada pelo sangue azul celeste. Ao assistir esse vídeo (acima) ao longo da minha vida, sinto-me como se estivesse presente, e mais, como se fosse um daqueles guerreiros, sentindo toda aquela pressão, aquela angústia de não ter o Batata ali presente de corpo, mas em espírito. Sim, ele estava lá e talvez seja a única explicação para que o Gol tão improvável entrasse vindo dos pés daquele maestro dos dribles, mas que nunca treinava faltas, pois sabia que não lhe era de direito batê-la.
Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar. - Anatole France
A peleja de Batata naquele ano tinha um único objetivo: ser personagem de uma conquista internacional. O primeiro título da Libertadores do Cruzeiro, coroando o Brasil e estampando o nome do clube mineiro. Mas, uma fatalidade o tirou de poder ver em vida este fantástico título, que hoje é homenageado ao retratarmos esta história. Deus recolheu esse guerreiro para abençoar esse título, para estar no lugar mais alto do universo e contemplar de perto o brilho das 5 estrelas explanando a grandiosidade e preciosidade de um time simples, cheio de homens determinados que sonharam juntos com uma nação e concretizaram esta conquista imortal em nossa história. E sim, Batata, este título começou ser escrito por você e foi dedicado cada minuto, cada gota de suor, cada gol (até mesmo o 7x1 para homenagear o manto que você carregava). Você, aonde quer que estivesse, foi um personagem do começo ao fim dessa Libertadores de 76.
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| Time-base: Raúl; Nelinho, Moraes, Darci Menezes e Vanderlei; Piazza, Zé Carlos, Eduardo (Roberto Batata) e Jairzinho; Palhinha e Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira. |
Podem passar anos, décadas, séculos e com eles virem as novas gerações que não estiveram presentes no passado, mas quem nascer Cruzeiro, vai ver, ler ou ouvir essa história e sentir toda a emoção, vibração, adrenalina, vai chorar como se fosse ao vivo ao lembrar desse Esquadrão Imortal que nos escreveu uma das histórias mais lindas do futebol brasileiro.
JOÃO SOARES DE ALMEIDA FILHO - O Bailarino da Toca
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | João Soares de Almeida Filho | |
| Data de nasc. | 15 de fevereiro de 1954 (61 anos) | |
| Local de nasc. | Belo Horizonte (MG), | |
| Nacionalidade | ||
| Apelido | Joãozinho, Bailarino da Toca | |
| Informações profissionais | ||
| Período em atividade | 1973-1987 (14 anos) | |
| Clube atual | Aposentado | |
| Posição | Ponta-esquerda | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1973-1982 1982-1983 1984 1985 1986 1987 | 482 (116) | |
| Seleção nacional | ||
| 1980-1981 | 6 (1) | |
*créditos: wikipédia
Joãozinho é um dos maiores ídolos do Cruzeiro e eu o escolhi como meu ídolo eterno, por sua irresponsabilidade genial que o fez ser um Guerreiro Imortal em nossa história. Por admirar a sua astúcia, sua habilidade, sua coragem e confiança em si mesmo de que aquela bola que já teria poucas chances de entrar naquela situação fatídica e ainda mais em seus pés, que para o mundo seria ainda mais improvável (tirando o fato de que batia bem na bola, mas considerando o que não era sua função ou o que treinava), e fazer desse momento, de apenas alguns segundos, a história escrever a marca de um herói que em meio a todas as estrelas se tornou o personagem principal da peça.
Deixo aqui uma homenagem a esse guerreiro celeste que por todas as gerações será lembrado:
Joãozinho, com certeza, é o maior ponta esquerda do Cruzeiro de todos os tempos. De jeito moleque e com extrema habilidade, fez a alegria dos torcedores cruzeirenses na década de 70 e 80. Sua carreira foi encurtada devido à uma grave contusão (fratura exposta) em janeiro de 1981, em jogo, no Mineirão, contra o time maranhense do Sampaio Corrêa, em um lance com o zagueiro Darci Munique. (descrição do vídeo acima)




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