“Não estou acreditando nisso! Seis. SEIS!” eu dizia ao meu amigo Tião
enquanto a gente celebrava mais um gol na arquibancada da Arena do Jacaré em
Sete Lagoas. Estava atrás daquele gol que o Roger balançou as redes logo no
início da partida. Confesso que fui ao estádio com muito medo. Muito! Mas fui,
ciente de que, acontecesse o que fosse, eu estaria lá, apoiando e amando aquele
time azul. Nem no meu melhor sonho eu poderia imaginar aquela página heroica e
imortal. Quase que valeu a pena todo o sofrimento ao longo daquele Campeonato
Brasileiro de 2011. Quase, pois roguei para jamais passar por aquela situação
de novo.
Oito anos depois, estamos nós aqui lutando para manter esse nosso
orgulho de dizer “Sempre bebi, mas nunca caí”. Disse há algum tempo ao mesmo
amigo Tião que precisaríamos de outro 6 a 1 para nos salvar esse ano. Mas 1 a 0
já seria uma goleada histórica. O clássico está chegando e, embora não seja na
última e decisiva rodada como era em 2011, é quase tão importante quanto. Cruzeiro
e Atlético estão em situação ligeiramente mais confortável que estavam naquele
4 de dezembro de 2011. Mas longe do que condiz com a história do futebol
mineiro. Apesar de ter vencido bravamente com o brilho da garotada na última
rodada, o time alvinegro vem em queda livre depois de chegar a brigar no topo
da tabela e encher o torcedor de esperança. Com o Cruzeiro na contramão, era
inimaginável para qualquer torcedor mineiro que os clubes chegariam a esse
clássico do returno com apenas cinco pontos de diferença.
Uma vitória do Atlético domingo deixaria o time bem mais confortável e
acredito que afastaria de vez o fantasma da zona sombria. Já para o Cruzeiro,
uma vitória significaria colar no rival e trazê-lo de vez para a briga de baixo
da tabela. Além disso, uma vitória no clássico dá fôlego para qualquer um dos
times para essa tão importante e emocionante reta final. Bem como uma derrota
pode mexer muito – de forma negativa – com os ânimos dos jogadores e do
torcedor. O clube celeste vem de uma sequência de invencibilidade incrível,
digna de topo de tabela: nove jogos sem perder. Olhando apenas para a pontuação
do returno, o Cruzeiro estaria em 10º lugar, brigando até por uma vaga na
Libertadores. Já o rival alvinegro estaria na desesperadora 16ª colocação,
apenas um ponto acima do primeiro time no Z4.
Mesmo perdendo pontos importantes em casa em jogos que o torcedor
esperava vitória como contra o Fortaleza e o Bahia, desde a chegada do técnico
Abel, o Cruzeiro conquistou vitórias importantes e inesperadas como contra o
São Paulo (em casa) e Corinthians e Botafogo (fora). Retomando a confiança de
peças importantes do elenco como o meia TN10 e o zagueiro Dedé, e reestabelecendo
um bom ambiente na Toca, desde a estreia com derrota para o Goiás, o Cruzeiro
não perdeu mais sob o comando de Abel. Foram três vitórias e seis empates. Alguns
empates podem ter tido sabor amargo – especialmente aquele contra o Fluminense
-, mas cada pontinho desses seis pode fazer muita diferença no final. Assim
como fizeram cada um daqueles seis gols contra o maior rival na última rodada de
2011. Dessa vez, não precisam ser seis. Apenas um basta, desde que não tome
nenhum. Para isso, contamos com nosso monstro sagrado Fábio. Que o domingo seja
azul em Belo Horizonte!
Por: Tarcísio Dias



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