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terça-feira, 21 de abril de 2015

88 anos de São Januário


Hoje é aniversário da nossa casa. Do nosso templo. Do nosso caldeirão. Hoje é aniversário do Estádio Vasco da Gama, ou São Januário, como preferir. Hoje é dia do nosso orgulho, do fruto de nossos torcedores. Eu irei contar um pouco da história de como tudo ocorreu.
Estádio de São Januário pós-reforma de 2012. (Foto: Vasco/Divulgação)
Há 88 anos, foi construído no Brasil um estádio que nasceu diante de uma exigência que, no fundo, tinha embutida um grande preconceito. Na década de 20, o futebol carioca era dominado por três clubes da elite do Rio de Janeiro: Fluminense, Botafogo e Flamengo, todos situados na zona sul da Cidade Maravilhosa. Contra a corrente, surge o Vasco, clube da periferia criado por pequenos comerciantes portugueses e luso descendentes e que contava com jogadores operários, analfabetos, negros e mulatos. Isto causou muita indignação, já que o futebol era um esporte elitista, com toda sua origem inglesa. Em 1923, em seu primeiro ano na 1ª divisão, conquista o campeonato carioca, causando grande revolta dos clubes tradicionais, que só tinham jogadores bem nascidos e brancos: “Após a tentativa fracassada de ver o Vasco da Gama fora da competição em 1923, os clubes da zona sul (área de elite da cidade do Rio de Janeiro), Botafogo, Flamengo, Fluminense e alguns outros clubes encontraram a solução para se verem livres dos vascaínos no ano seguinte. Assim, se uniram, abandonaram a Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT) e fundaram a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), deixando de fora o Vasco, que só poderia se filiar à nova entidade caso dispensasse doze de seus atletas (todos negros) sob a acusação de que teriam “profissão duvidosa”. Diante da situação imposta, em 1924, o presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, José Augusto Prestes, enviou uma carta à AMEA, que veio a ser conhecida como a “resposta histórica”, recusando a se submeter à condição imposta e desistindo de filiar-se à AMEA. A carta entrou para a história como marco da luta contra o racismo no futebol.

Com a criação da AMEA, houve um novo argumento contra o Vasco: a falta de um estádio próprio. No mesmo instante, começou uma grande campanha de arrecadação de verbas para a criação de São Januário.
 Em 6 de junho de 1926, teve início a obra do estádio e em dez meses, o estádio estava sendo inaugurado e se tornando o maior estádio particular do continente, posto que foi de São Januário até 1930, quando foi inaugurado o Estádio de Montevidéu.

Para o jogo inaugural, o Santos foi chamado, potência paulista da época. Os visitantes venceram por 5x3, com Evangelista (Santos) marcando o primeiro gol do estádio, Negrito foi o primeiro vascaíno a balançar as redes. Em 1928, os refletores foram inaugurados, na estreia deles, o Vasco venceu o Wanderers, do Uruguai, por 1x0, com um gol olímpico de Santana.

Sociais de São Januário (Foto: Google) 


Algumas curiosidades de São Januário:

O maior artilheiro é Roberto Dinamite, também maior artilheiro vascaíno, com 184 gols marcados no estádio.

No dia 20 de maio 2007, o atacante Romário marcou o seu milésimo gol, na partida entre Vasco da Gama e Sport Recife.

A partida com o maior público foi entre Vasco x Londrina, em 19 de fevereiro de 1978, partida vencida pelos paranaenses por 2x0, com um total de 40.209 torcedores.

O resultado mais elástico de São Januário foi em 6 de setembro de 1947, com o placar Vasco 14x1 no Canto do Rio, quando o grupo vascaíno era conhecido como Expresso da Vitória.

No dia 30 de abril de 2002, o Travel Channel, famoso canal de televisão especializado em turismo realizou pesquisa que incluiu São Januário entre os sete melhores estádios do planeta para se assistir uma partida de futebol, junto com Camp Nou, Giuseppe Meazza, La Bombonera, Ibrox Stadium, Stamford Bridge e o Estádio Olímpico de Munique. Com 80 anos de existência completados em 2007, o estádio se destaca por resguardar traços originais de sua construção. A emissora apontou São Januário como um dos mais famosos do mundo e lembrou o fato de o Vasco ter sido o primeiro clube brasileiro a lutar contra o racismo, admitindo negros no seu quadro de atletas. Em 2008, o estádio também ganhou o prêmio de 'Maravilha da Zona Norte', ficando em primeiro lugar numa votação para escolher as sete maravilhas da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

O estilo neocolonial do estádio lhe rendeu o tombamento pelo Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Foto: Google)


Retrospecto do Vasco em clássicos no estádio:
Vasco x Flamengo: 34 jogos, 15 vitórias do Vasco, 9 empates, 10 derrotas.
Vasco x Botafogo: 43 jogos, 17 vitórias do Vasco, 15 empates, 11 derrotas.
Vasco x Fluminense: 46 jogos, 22 vitórias do Vasco, 11 empates, 13 derrotas.

O Vasco também enfrentou sete seleções, entre elas a Espanha, em oito jogos. O Gigante da Colina está invicto; são 7 vitórias e 1 empate.

Dentro do complexo de São Januário ainda há: parque aquático, ginásio poliesportivo, hotel concentração, colégio Vasco da Gama, capela, sala de troféus e uma megaloja.

Música feita e cantada por torcedores com trechos sobre a história do Estádio Vasco da Gama:



História contada pela Rede Globo:



Jonatan Cavalcanti

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