"É o melhor goleiro do Brasil, Fábio!", é o verso cantado em todo início de jogo do Cruzeiro no Mineirão, ou em qualquer estádio que for jogar no mundo, pela nação azul. Provavelmente, você até leu no ritmo e bateu aquela saudade de gritar isso no Gigante da Pampulha. Mas, esse domingo, dia 31 de janeiro, você já vai poder se reencontrar com o Cruzeiro, depois dessa pausa insuportavelmente longa.
Mas, não vamos falar do dia 31 de janeiro nesse post. Vamos voltar ao dia 04 de março de 2000. Quase 16 anos atrás. O jogo de estreia de um dos maiores (considerado por alguns o maior) goleiros da história do clube celeste. Além de ser um dos mais marcantes em sua posição, Fábio Deivison Lopes Maciel, o Fábio, é o atleta que mais atuou em campo com a camisa celeste em todos os 95 anos do Maior de Minas. Foram 668 jogos que levaram a inúmeros títulos.
Incontestavelmente uma figura de suma importância no clube, Fábio já conquistou 25 prêmios individuais como melhor goleiro do Campeonato Mineiro, Brasileiro e até como melhor jogador do ano. Várias personalidades do futebol e da mídia trazem à tona constantemente a importância do nosso goleiro no cenário nacional. Além de ressaltar como ele não é aproveitado pela Seleção Brasileira, assunto bastante polêmico desde que se destacou pelo Cruzeiro.
Quem acompanha o goleiro percebe com clareza a elevada qualidade do atleta que foi fundamental em diversas campanhas do time. Em todos esses anos de Cruzeiro, desde que voltou efetivamente em 2005, apesar do clube ter tido alguns anos de turbulência (2011 e 2015) e ter consideráveis chances de rebaixamento, Fábio foi uma figura crucial para evitar essa mancha na história do incaível de Minas. Mesmo não tendo participado do marcante jogo 6x1 contra o Atlético-MG em 2011 em que evitamos cair, ele teve uma papel importantíssimo na campanha durante esse ano, impedindo que o final tivesse sido amargo. Goleiro bom não é aquele que faz o time subir, mas aquele que não deixa o time cair! (Isso vale também para a torcida).
Em adição, goleiro bom também é aquele que ajuda o time a ganhar títulos! E é claro, que o Fábio trouxe vários para o Cruzeiro. Não tem como deixar de citar as duas campanhas maravilhosas que ele, junto ao elenco, fizeram em 2013 e 2014. Destaque para incríveis defesas de pênaltis e rebotes, além de chutes que pareciam indefensáveis. Lembrou de algum?
Entretanto, infelizmente, apenas uma boa atuação do goleiro não é suficiente para conquistar um campeonato. Prova disso foi a Libertadores de 2009. Sim, eu sei que não é legal ficar lembrando daquela final traumática e inesquecível (da pior maneira possível) pra qualquer Cruzeirense, mas é indispensável ressaltar o trabalho excepcional do Fábio naquele torneio, principalmente no jogo de ida da final, em que ele fechou o gol e não permitiu que o adversário marcasse se quer um gol no seu próprio mando de campo. Véron viu diversos chutes seus serem desviados pelo recém eleito melhor goleiro de Minas Gerais (pela terceira vez).
Pesquisei, puxei da memória, assisti vídeos, perguntei a amigos qual seria a defesa mais marcante da carreira do nosso goleiro, mas é impossível escolher uma só. Além de terem sido inúmeras, cada jogo e defesa marca cada pessoa de uma maneira distinta. Porém, se eu tivesse que escolher um jogo em que o Fábio foi o melhor em campo recentemente foi o jogo de ida da Libertadores 2015 contra o São Paulo no Morumbi. Infelizmente saímos com a derrota, mas apenas com o placar mínimo devido à atuação sensacional de Fábio. Além disso, vale lembrar também que ele foi crucial na classificação do Cruzeiro para a próxima fase, defendendo dois na disputa de pênaltis. E que jogo!
Depois de ressaltar tantas conquistas e feitos dele, vamos falar de algo que é difícil não lembrar quando estamos falando de Fábio. A religião. É perceptível a presença da fé na vida dele em qualquer entrevista que ele dá ou o simples "Jesus te ama" que frequente acompanha seus autógrafos. Fábio se converteu para o cristianismo evangélico em 2007 durante a pior fase da sua carreira. Depois de perder um clássico, sendo diretamente envolvido em 3 dos 4 gols e ainda sofrer uma contusão no joelho que o afastou dos gramados. Período dramático em sua vida que ele enxergou a solução em Deus. Após sua conversão, de acordo com familiares e amigos, Fábio virou uma outra pessoa, mais responsável e prudente. Melhorou a autoestima e isso afetou diretamente no campo. Ganhou vários títulos pelo Cruzeiro e prêmios individuais.
Além disso, o que muitos torcedores não sabem é que o Fábio só está no Cruzeiro até hoje por causa de sua fé. Recebeu duas propostas de times europeus, em uma chegou até a viajar para Espanha para assinar. Porém, ele rasgou o contrato, pois de acordo com ele, esses não eram os planos de Deus para sua vida. Deus queria ele no Cruzeiro e ele obedeceu. Então, apesar de alguns ainda criticarem a fé do Fábio, poucos sabem que isso é fundamentalmente que o mantém aqui, entre outras razões.
O que eu mais admiro nele nessa questão, é que você pode perceber claramente a genuinidade dele em cada gesto ou palavra que se refere a bíblia ou a Deus. Ele não está sendo forçado. Não tem ninguém que o obriga a falar sobre Jesus. Esse sentimento simplesmente transborda por ele, de uma maneira natural, porque ele realmente quer e sente tudo que ele fala.
Chegando quase ao fim do texto, não posso deixar de comentar do carisma do nosso jogador. Do nosso capitão. Liderança absoluta no time por tanto tempo. Prestígio nacional. Mas e a humildade? Permanece com ele esse tempo todo. Todos os torcedores que tiveram a felicidade de conhecer o Fábio foram bem tratados e por experiência própria posso afirmar: sempre com um sorriso.
Com tudo exposto agora, é visível porque o Fábio entrou na lista de ídolos. Jogador que mais vestiu a camisa do time, competente, ganhou títulos, recusou propostas do exterior, tem uma conexão com a torcida e ainda é capitão absoluto por tanto tempo. É um exemplo para várias crianças que querem se tornar goleiras, em todo o país.
Muito obrigada, Fábio!
Fiquei muito feliz ao ser convidada para escrever no VQTTV, mas a maior honra foi saber que o primeiro texto seria sobre um ídolo tão importante assim na história do clube que eu tenho essa imensa sorte de poder ver jogar. Vou terminar o texto de uma maneira que eu imagino que Fábio também faria, com um versículo bíblico:
"O coração do sábio adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios procura o saber". (Provérbios 18:5)
Até a próxima, nação celeste!
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