Alô galera tricolor: me chamo Manoel Rocha, sou são-paulino e estou aqui no Vai que Tô te Vendo para escrever sobre um dos maiores técnicos do nosso futebol. Infelizmente, nos deixou há 10 anos, mas seus ensinamentos continuam até hoje e embora poucos não saibam, o técnico Pep Guardiola já declarou ser fã desse grandioso técnico.
Claro que falo e faço uma merecida homenagem a Telê Santana - embora pareça biografia, estou "pulando" propositadamente dados da vida dele e caso se interessem pelo que escrevi e queiram saber tudo na íntegra, leiam "Fio de Esperança" de André Ribeiro, muito bom-.
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| Foto: Globoesporte.com |
Nascido em Itabirito (MG), em 26 de julho de 1931, Telê Santana da Silva, ou simplesmente Telê, desde novinho tinha 2 grandes paixões: o futebol e o Fluminense, jogando antes pelo Itabirense e pelo América de São João del Rey (ambos de MG) até finalmente aquele garoto do interior mineiro e franzino que jogava com bola de meia e usava a escalação do time profissional do Fluminense nos jogos de botão poder realizar seu grande sonho: jogar futebol no time de coração.
Revelado para o time profissional do Fluminense em 1951, acabou campeão carioca naquele ano: de tão franzino que era aquele ponta direita tricolor, alguns anos mais tarde, ganhou o apelido de "Fio de Esperança" por conta de um concurso promovido pelo jornalista Mário Filho: do Rio-São Paulo em 1957 e 1960, assim como campeão carioca em 1959: jogou por outros times, em 1963, jogou no Madureira contra o próprio Fluminense e naquele jogo, que era válido pelo campeonato carioca, perdeu por 5x1, fez o gol de honra no ex-clube e chorou demais por ter feito gol no clube que o revelou e sempre torceu.
Em 1965, encerrou a carreira de jogador no Vasco com uma prática que era comum na época: assinar contrato em branco. Ficou apenas 3 meses e jogou 2 jogos.
Virou técnico no próprio Fluminense sendo campeão dos juniores em 1968, promovido ao time profissional no ano seguinte e conquistou o título estadual com a base do time campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (antes da CBF unificar os títulos brasileiros que foram jogados antes de 1971, foi considerado o "embrião" do Campeonato Brasileiro que "nasceu" no ano de 1971), mas ainda no ano de 1970, Telê se transferiu para o Atlético-MG, sendo campeão brasileiro no ano seguinte e conquistando o título até então inédito para o clube (já são 45 anos de jejum).
Em 1973, teve uma passagem sem brilho pelo São Paulo, mas teve atritos com ídolos do clube e acabou saindo: a carreira do técnico mineiro e amante do futebol arte começou a decolar no Rio Grande do Sul, mais precisamente no Grêmio, onde foi campeão gaúcho em 1977 - interrompeu uma era de 8 títulos gaúchos seguidos do rival Internacional -.
Depois de uma passagem sem títulos pelo Palmeiras em 1979, mas que mostrou grande futebol, foi chamado pelo presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos, que depois deu origem à CBF), Giulite Coutinho, para comandar a Seleção Brasileira - essa sim, com letra maiúscula e orgulhosamente chamada de seleção - para a disputa da Copa do Mundo de 1982, na Espanha - . O Brasil fez uma campanha tão boa, jogou um futebol tão bonito, que mesmo sem o título que não vinha há 12 anos, encantou o mundo. Até hoje, Telê foi único treinador brasileiro a comandar o Brasil em 2 Copas seguidas (comandou também na de 1986, no México).
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| Foto: panisetcircenses.com.br/tele-lider |
Infelizmente, sem esses títulos, Telê começou a ser rotulado de "pé-frio", de ultrapassado: começaram a dizer que o futebol-arte tantas vezes defendido por Telê Santana tinha morrido, acabado e que essa época "romântica" do futebol, tinha ficado para trás, seja nos tempos dele de jogador ou ficado lá no começo da carreira de técnico.
Telê sempre preferiu perder jogando bonito a ganhar jogando feio e isso manteve até o fim da vida chegando inclusive a ficar bravo com a imprensa quando questionava o treinador nas derrotas dos times ou mesmo na seleção. Dizem que por conta disso, o Brasil perdeu em 82, já que a seleção dependia apenas do empate para ir à semifinal e os times comandados por Telê sempre jogavam para ganhar e nunca com o "regulamento embaixo do braço" - acabou em quinto e a Itália ficou com o título, depois de 44 anos de jejum - .
Nem mesmo o título mineiro do Atlético-MG de 1988 e o da Taça Guanabara pelo Flamengo de 1989 (equivalente ao 1º turno do carioca) serviram para acabar com essas injustas ofensas a Telê.
Quando foi para o São Paulo em 1990 e pegou o time na zona de rebaixamento com contrato inicialmente previsto apenas até fim do ano, as coisas começaram a mudar, tanto para o clube paulista, que até então era apenas de nível nacional, como para o treinador mineiro, que caminhava a passos largos para a aposentadoria.
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| Foto: futdados.com |
O São Paulo de Telê jogava bonito e o time saiu da zona de rebaixamento para o vice-campeonato (perdeu o título para o Corinthians) e diante da insistência com Cafu para acertar os cruzamentos - o jogador treinava o fundamento com Telê pelo menos 40 vezes ao dia - e principalmente com o meia Raí para utilizar seu tamanho - 1,86m de altura - e chegar como "elemento surpresa" para fazer os gols do time e assim vieram os títulos em sequência: Paulista-91, Brasileiro-91, Libertadores-92, Mundial-92 em cima do poderoso Barcelona de Cruyff (infelizmente também já falecido) e onde também jogava um certo Pep Guardiola: vitória essa por 2x1, de virada, jogando bonito e que serviu de vez para enterrar, com justiça, o rótulo de pé-frio, assim como a Recopa-93, Libertadores, Mundial-93, em cima do supercampeão Milan (que seria a base da Itália vice-campeã mundial em 1994), também de virada, mas por 3x2, Supercopa-93, assim como da Recopa-94, Conmebol-94, comandada pelo auxiliar de Telê, Muricy Ramalho, mas com a base do time e sob os olhares atentos do exigente e genial Telê Santana.
Com todos esses títulos no São Paulo - todas as conquistas internacionais citadas ocorreram sob comando de Telê ou tiveram influência dele e até então eram inéditas para o clube - Telê deixou o rótulo de "pé-frio" de lado em definitivo, para passar a ser chamado da forma que merecia desde o começo: "Mestre Telê".
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| Foto: tricolornaweb.com.br |
Em 1996, Telê Santana sofreu uma isquemia cerebral e foi afastado definitivamente do futebol, para infelizmente deixar o futebol de luto em 21 de abril de 2006 - mesmo times que nunca foram treinados por ele compareceram ao enterro e deixaram suas bandeiras no caixão como forma de homenagear o Mestre Telê - .
Homenagem mais que justa e merecida por quem praticou um futebol bonito como jogador e lutou, contra tudo e contra todos como treinador, para mostrar que o futebol-arte é sim, a cara do Brasil e assim precisa ser jogado - pena que hoje, infelizmente pensam mais no resultado que no futebol em si, tirando a graça que o esporte sempre soube proporcionar-.
"Olê, olê, olê, olê, Telê, Telê"
Texto do nosso amigo convidado Manoel Rocha





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