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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

E dale D'Alessandro...

O momento é de reflexão e valorização, devemos ter orgulho acima de tudo, orgulho de ver que nos últimos 8 anos tivemos nossa camisa muito bem representada, comprometimento, raça, técnica, e o principal, dentro de campo tínhamos um representante da torcida, um argentino que adotou Porto Alegre como sua segunda casa, o Beira-Rio como seu lar, e a camisa do Inter como sua segunda pele, precisamos também valorizar o que "El Cabezón" fez pelo Inter, e pelo RS, o Lance de Craque é um legado que precisa ser mantido, a entrega dele dentro de campo provavelmente em um longo espaço de tempo não veremos igual.

"D'Ale chorou quando marcou o gol da reinauguração do Estádio Beira-Rio."
Foto:dalessandro10.com
Quarta-feira, 03/02/2016 foi dia de dizer até logo, de torcer pra que esse cara de caráter imenso seja feliz na sua primeira casa, que conquiste o possível no River Plate, e seja feliz na sua Buenos Aires, gratidão é um dos sentimentos mais sinceros e verdadeiros, voltar pro clube que o lançou é sinônimo de gratidão, de humildade e respeito por um povo que o idolatra tanto quanto nós.

Despedidas sempre são complicadas, mas Andrés sai do jeito que chegou, erguendo taça, o palco combina com sua humildade ímpar, no acanhado Estádio Passo D'Areia em Porto Alegre, contra o simples São José, o famoso Zequinha da Zona Norte da capital gaúcha.
Um estádio onde não existe placar eletrônico, roletas de acesso, a iluminação é "meia-boca", tem torcedor pendurado no alambrado, arquibancadas de cimento, e um jogo válido pela Recopa Gaúcha, um título de pouquíssima expressão se comparado as maiores conquistas de Inter e D'Ale.

Mas na noite dessa quarta-feira cada colorado presente no estádio tinha uma missão, uma espécie de dívida, precisávamos agradecer pelos 8 anos de cumplicidade, pouco importava a falta de conforto, o jogo ruim, a chuva ou qualquer outro contratempo, estávamos ali pelo Inter, estávamos ali por Andrés Nicolás D'Alessandro, o maior camisa 10 que esse estado já viu, o grito "Dale D'Alessandro...♫" repetido insistentemente em boa parte do jogo, saía das cordas vocais de cada torcedor  e vinha carregado de emoção diferente, era um misto de alegria e ao mesmo tempo de tristeza, uma sensação inexplicável.

Eram 35 minutos da segunda etapa, quando a placa de substituição anunciava a saída do camisa 10, estávamos diante de uma pausa, pausa de uma era vencedora, onde com maestria nosso Inter era carregado por um argentino, baixinho, de fala fina, irritado mas com um futebol e um coração imenso.

"D'Ale agradece a torcida na saída de campo."
Foto:http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes
D'Ale seguirá seu rumo, prometeu levar o Inter sempre com ele, assim como nós trataremos de deixá-lo para sempre na história do Sport Club Internacional.

No contato mais próximo que tive com D'Ale, a seguinte frase proferida por ele me marcou: “Quero deixar meu nome na história do Inter.”

Não restam dúvidas, o nome dele lá está pra eternidade, ao lado dos maiores ídolos que o Clube do Povo possui nessa grandiosa história centenária.

Ao torcedor colorado resta olhar com saudade pra um passado recente, olhar com saudades da camisa 10 sempre suja de grama, seja pelas pancadas que o levavam ao chão, ou dos carrinhos desesperados em busca da bola, a La Boba fará falta, a liderança fará falta, a emoção e entrega farão falta, o "torcedor-jogador" fará muita falta, nos resta  torcer pra que 2016 passe rápido, pra que  talvez ele volte para sua gente.

Nunca diremos adeus, no máximo um até logo,e dale D'Alessandro!

"Placa de homenagem ao jogador, entregue por torcedores em Abril de 2015."
Foto: Arquivo Pessoal

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