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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Diretoria confusa, torcedores desesperados!


É difícil encontrar razões para o momento atual do Cruzeiro. O que muito se vê, são direcionamentos de responsabilidades, geralmente, voltadas para um ou outro dirigente- de acordo com o afeto que cada torcedor direciona para o mesmo. Um erro imenso que vem dividindo a torcida celeste. Nos tornamos extremistas e insensatos em um momento que deveríamos nos unir objetivando o que sempre foi mais importante: O Cruzeiro!

Contudo, mesmo que não se tenha unanimidade na busca dos culpados pela situação em que chegamos, em um ponto todos concordam, o Cruzeiro foi incompetente em seus últimos planejamentos. Em mais um ano, nos vemos diante de uma situação de incertezas em relação ao treinador, na qualidade do elenco e nas expectativas em relação aos campeonatos disputados. O Campeonato Brasileiro está batendo à nossa porta, a Copa do Brasil já está acontecendo e nem sequer temos um novo treinador. Consequentemente o planejamento ainda não está concretizado para o resto da temporada.

Os erros nos perseguem desde 2015, isso é um fato. A saída conturbada de Marcelo Oliveira, a chegada e insistência em Luxemburgo, a ilusão de um planejamento com o Mano Menezes e já na virada do ano, a aposta em Deivid. Tudo isso o Cruzeiro fez sem demonstrar ter um plano B. Não que os dirigentes devam trabalhar apostando que as coisas não vão dar certo. Porém, como estamos falando de uma empresa, o certo é trabalhar com uma margem de erro e com isso, um plano opcional, para pelo menos ter por onde solucionar um problema emergencial.

Desde a saída de Deivid, o Cruzeiro já recebeu alguns “nãos” de alguns treinadores. Jorginho, Marcelo Oliveira, Ricardo Gomes- o último deles. Considerando que o último, por exemplo, está em um clube que quase fechou as portas devido as grandes dívidas. Mesmo assim, a diretoria celeste oferecendo mais dinheiro, o mesmo não aceitou a proposta. Faltou o planejamento celeste agradar? Que planejamento seria esse? Faltou poder de persuasão nas negociações? Por que de repente, estamos nos acostumando com o “não”? Falta saber manejar uma contra - proposta? Como explicar?

Essa situação não se resume a busca de treinadores. Foi assim com várias opções de reforços e também na busca por patrocinadores- mesmo quando estávamos no auge, pós bicampeonato brasileiro. Situação que não estávamos acostumados a ver em uma instituição respeitada e renomada com o Cruzeiro Esporte Clube.  Certo é, que não se deve culpar somente a atual diretoria. A desordem não se instalou agora, ela é contínua desde o ano passado.

O que parece estar acontecendo, é uma disputa intensa e medonha na política interna do clube. É comum acontecer isso nos bastidores, o problema é quando o fato reflete em campo e nas negociações. Neste momento, percebe-se um interesse em apontar culpados e não uma real busca por soluções.  Preocupante! Um ambiente assim, se torna propício para que os erros sejam constantes. E a situação transbordando para o torcedor, como está acontecendo, fica ainda pior. Pois usamos do nosso amor e irracionalidade para exigir respostas imediatas, mesmo sabendo que o imediatismo não leva ninguém a lugar nenhum no futebol.

Por essa razão de desespero, de incertezas é que a torcida está guiada por dois extremos perigosos, um de tudo criticar e o outro de preferir se calar baseado no apoio total. O caminho não é esse, e nem é o que vai tirar o Cruzeiro de tal situação. A esperança está na queda do egocentrismo e na volta da humildade entre dirigentes, conselho e oposição. É preciso que cada um assuma sua responsabilidade dentro da empresa. A começar pela diretoria, mas se estendendo aos jogadores- seja os que estejam chegando agora, seja as “crias da base” e ainda, passando por toda a comissão técnica e fisiologistas/departamento médico.  Onde está a motivação nesse atual elenco? O físico? A qualidade que a torcida espera...Pois, não adianta vencer, é preciso convencer. Se não na técnica, que seja na raça. Feito isso, cada um assumindo suas responsabilidades, achando os erros, assumindo os mesmos, as coisas certamente voltarão a trilhar no bom caminho que estamos acostumados. Se não, não adiantará chegar um novo treinador. Ou os problemas persistirão diante de nós.

Queremos o Cruzeiro de volta, onde não nos contentamos com qualquer opção de mercado, para técnico ou jogador. Onde não nos contentamos com um bom primeiro tempo diante de um adversário de menor expressão. Onde voltemos a impor o valor da nossa camisa. Onde a torcida volte a se unir em prol do Cruzeiro. Onde as brigas internas não sejam refletidas em campo. Onde voltemos a ser um nome forte no mercado. Onde investidores busquem o Cruzeiro com o foco no Cruzeiro. Onde a torcida volte a confiar e exaltar as cinco estrelas que carrega no peito, com orgulho e imenso amor. Devolvam nosso Cruzeiro! 

por Débora Dias  

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