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quinta-feira, 31 de março de 2016

"La Cancha":¿Se mira? ¿Se toca? Sei lá...

Como todos que acompanham o Vai Que Tô Te Vendo já sabem, na semana passada estreou uma nova coluna no site, o “La Cancha”, destinada a falar sobre futebol argentino, sob todos os aspectos, dentro e fora de campo. O amigo Jonas Almeida, que capitaneia este projeto, gentilmente me cede este espaço para falar sobre a participação dos clubes argentinos na atual edição da Copa Libertadores da América.

"Confira a participação dos times argentinos na Libertadores 2016."
Foto: www.diario26.com

Nas duas últimas semanas de março estamos tendo uma primeira pausa no confuso calendário da Libertadores – assunto para uma outra oportunidade –, que prevê semanas de jogos à fio, acompanhada de dois importantes hiatos. Neste primeiro momento, a interrupção se dá para atender às datas FIFA de disputa das Eliminatórias Sul-Americanas – mais tarde haverá nova pausa para a Copa América que comemorará o centenário da CONMEBOL.

Os clubes argentinos, todos, sem exceção, chegam à metade da fase de grupos da Copa com suas situações indefinidas; não há nenhum deles tão perto assim da classificação que já possa relaxar, assim como os números também não descartam de pronto a presença de ninguém no mata-mata. Rosario Central e San Lorenzo já disputaram quatro partidas cada, e tem suas participações encaminhadas, enquanto os demais times só entraram em campo três vezes.

Campeão em crise de identidade

Foto: Site Oficial do River Plate
O River Plate começou a temporada perdendo dois de seus principais jogadores, Sánchez e Kranevitter, e com eles se foi uma das principais qualidades da equipe millonaria, que era a solidez no meio-campo. Dos poucos reforços, o único que empolga de alguma forma (dentro de campo) é o veterano centroavante uruguaio Iván Alonso, de 36 anos, autor de 2 gols no torneio. A estreia foi promissora, com goleada sobre o frágil Trujillanos, da Venezuela, por 4 a 0. Mas a sequência foi irregular, com dois empates e com Marcelo Gallardo não conseguindo repetir a equipe titular, muito por lesões, destacando-se as de D’Alessandro, Álvarez Balanta e Pisculichi. A tendência é de uma classificação tranquila, pois o Millo receberá The Strongest e Trujillanos no Monumental de Núñez. Com o elenco atual, Muñeco Gallardo pode e deve fazer mais, e, encaixando o time, tornar o River Plate um sério candidato ao título.

Ponto alto: lição de casa e goleada na estreia, contra o Trujillanos.

Ponto baixo: empate sofrido no último minuto contra o The Strongest, na Bolívia.

Destaque: Nicolás Domingo, jogador mais regular da equipe e que está substituindo à altura Matías Kranevitter.
Decepção: Andrés D’Alessandro, contribuição abaixo da expectativa, já sofrendo com lesões.
Projeção para a fase de grupos: 12 pontos, liderança do Grupo 1.
Até onde pode chegar: quartas-de-final, no mínimo.

“O Elogio da Loucura”, por Chacho Coudet

Foto: Site Oficial do Rosario Central

Se desempenho valesse mais que resultado, certamente o Rosario Central estaria entre os 3 melhores times desta Libertadores. No entanto, não existe vida fácil na competição mais charmosa do mundo, e os Canallas deram mole. Inexplicavelmente o técnico Eduardo Coudet escalou time misto para os dois primeiros jogos. Contra o Nacional uruguaio, só conseguiu arrancar o empate em pleno Gigante de Arroyito com um gol de pênalti nos acréscimos do 2º tempo, e em São Paulo, levou 2 a 0 do Palmeiras em um dos jogos mais mentirosos da história de La Copa, onde o Central dominou a maior parte do jogo. Sentindo o perigo, a equipe rosarina acordou e passou o rodo no River Plate, do Uruguai, com duas vitórias altamente convincentes. Se não perder os ótimos garotos Lo Celso e Cervi, e puder contar com o artilheiro Ruben, vai incomodar na competição.

Ponto alto: triplete de Ruben sobre o River Plate uruguaio, e goleada por 4 a 1.
Ponto baixo: atuação abaixo da crítica contra o Nacional, em Rosario.
Destaque: Franco Cervi é o cérebro do time e quer se despedir do clube em grande estilo – vai para o Benfica no meio do ano.
Decepção: Eduardo Coudet – sim, o técnico, que vem fazendo muitas experiências e não deixa o torcedor ter um 11-inicial na ponta da língua.
Projeção para a fase de grupos: 11 pontos, 2º colocação no Grupo 2.
Até onde pode chegar: passando das oitavas-de-final, o que vier é lucro.


Chega ídolo, sai ídolo, volta ídolo, mas o futebol...

Foto: Site Oficial do Boca Juniors

Adianta criar uma expectativa gigantesca no torcedor e botar tudo por água abaixo? É isso que deve estar se perguntando o torcedor do Boca Juniors, campeão da Primera División, nadando de braçada, e da Copa Argentina do ano passado. A equipe começou a desandar quando levou 4 a 0 do San Lorenzo na Supercopa Argentina, em fevereiro, e a participação na Libertadores parece ir pelo mesmo ralo. Rodolfo Arruabarrena perdeu a mão sobre o time, o respaldo da torcida e o cargo de técnico xeneize. Em seu lugar, Guillermo Barros Schelotto, que já vinha secando seu ex-companheiro de Boca há tempos. Não adiantou. Em dois jogos, dois empates, contra o Racing, em La Bombonera fechada, e contra o Bolívar, com sabor de vitória na altitude, graças ao gol de Carrizo no último lance do jogo. O time cambaleia também no campeonato local, sem perspectiva de melhoras. Mesmo assim, a camisa deverá pesar contra Deportivo Cali e Bolívar em Buenos Aires, fazendo o Boca seguir adiante em La Copa.

Ponto alto: absolutamente nenhum.
Ponto baixo: precisar jogar em La Bombonera com portões fechados 
Destaque: sistema defensivo, personalizado em Agustín Orion, experiente e sempre confiável.
Decepção: Carlitos Tévez, que não vem sendo nem sombra do que foi em 2015.
Projeção para a fase de grupos: 9 pontos, 2º lugar no Grupo 3.
Até onde pode chegar: “La Copa empieza em octavos”, e ninguém melhor que o Boca sabe disso; ou seja, o céu é o limite.



Coerência, a chave do sucesso

Foto: Site Oficial do Racing

O Racing nunca foi um dos times argentinos mais cotados para fazer barulho nessa Libertadores. A troca de treinador poderia representar uma mudança de pensamento de futebol, mas Facundo Sava soube aproveitar o que de melhor o antecessor Diego Cocca havia deixado, e incutiu uma agressividade que o time não tinha. Aproveitando a fase iluminada de seus atacantes, pode se dar ao luxo de revezar entre Diego Milito, Gustavo Bou, Roger Martínez e Lisandro López. La Academia passou pelo Puebla, na 1ª fase da competição, e na fase de grupos goleou o Bolívar, no Cilindro, e visitando Boca Juniors e Deportivo Cali, empatou ambas. Inclusive contra os colombianos, o time foi buscar um improvável empate após sair perdendo por 2 a 0, em um dos grandes momentos desta Libertadores. Mantendo a regularidade e a sanha goleadora, o Racing tem tudo para ser um dos protagonistas desta Copa.

Ponto alto: a demonstração de maturidade ao buscar um empate fora de casa contra o Deportivo Cali.
Ponto baixo: a contusão do ótimo Luciano Lollo, no jogo contra o Boca Juniors.
Destaque: Lisandro López, em retorno triunfal, vem sendo decisivo e grande referência no ataque racinguista.
Decepção: Washington Camacho, que, sempre que teve chances, não correspondeu como fizera na temporada passada.
Projeção para a fase de grupos: 12 pontos, líder do Grupo 3
Até onde pode chegar: semi-finais, se dando ao luxo de sonhar.


Se for para cair, que seja atirando

Foto: Site Oficial do Huracán

Podem falar o que for do Huracán, que é um time fraco, que joga feio, mas não podem dizer que não tem huevos. O Globo é um time limitadíssimo, que vem esbanjando bravura de 2014 para cá, com o acesso à Primera División, os títulos da Copa e da Supercopa Argentina, e o vice-campeonato da Copa Sul-Americana do ano passado. Como nada é fácil para essa equipe, na disputa da 1ª fase da Libertadores, o ônibus que levava a delegação que se classificou com um gol aos 46’ do 2º tempo, contra o Caracas, se acidentou na Venezuela. Refeitos do susto, os comandados de Eduardo Domínguez  não foram páreo para o ótimo Atlético Nacional, mas surpreenderam o Peñarol, em pleno Centenario, e fizeram jogo duríssimo contra o Sporting Cristal, no Peru. Os dois próximos jogos em Parque Patricios irão selar o destino da equipe na competição. Missão complicada para o valente Globo.

Ponto alto: a vitória maiúscula obtida sobre o Peñarol, em Montevidéu
Ponto baixo: o acidente na Venezuela, que, além do susto, tirou de combate três importantes jogadores do time, Patricio Toranzo, Hugo Nervo e Diego Mendoza.
Destaque: Cristian Espinoza, cada vez mais maduro e integrado ao time principal do Huracán.
Decepção: Ezequiel Miralles (aquele!), que só ganha minutos em campo porque Eduardo Domínguez é mais um adepto da rotação de grupo.
Projeção para a fase de grupos: 7 pontos, 2º lugar no Grupo 4
Até onde pode chegar: passar de fase pode ser considerado um título para o Huracán.


À espera de um milagre digno de Francisco

Foto: Site Oficial do San Lorenzo

A trajetória do San Lorenzo nesta Libertadores tende ao trágico desde a estreia. Ainda que a derrota na altitude de Quito, para a LDU, seja aceitável, seguir a campanha com 3 empates consecutivos é um claro indicativo de desastre. Nos confrontos em casa contra Toluca e Grêmio, ficou a clara sensação de que 4 pontos foram jogados pela janela, sobretudo no duelo contra os brasileiros, onde o Ciclón não goleou pela incompetência de seus atacantes – e competência do goleiro rival –, além de sofrer o gol de empate nos minutos finais. O trabalho de Pablo Guede começa a ser fortemente questionado, com certa razão, pois a equipe perdeu totalmente a consistência defensiva que tinha com Edgardo Bauza, preterida por um esquema até irresponsavelmente ofensivo. Possivelmente seja o único argentino a cair na fase de grupos da Libertadores e, para seguir adiante, só com muita fé, oração e pontaria, o que mais vem faltando nas bandas do Nuevo Gasómetro.

Ponto alto: a atuação consistente em Porto Alegre dá uma certa esperança de que o time possa se impor contra o Toluca, no México.
Ponto baixo: a vitória que estava ressucitando o San Lorenzo virou um empate amargo com o gol gremista aos 46’ da 2ª etapa em Buenos Aires.
Destaque: Fernando Belluschi, que se adaptou perfeitamente ao esquema de Guede, e vem sendo o maestro da equipe.
Decepção: Martín Cauteruccio, que por mais que venha jogando bem, tem perdido gols em produção industrial.
Projeção para a fase de grupos: 6 pontos, 3ª posição no Grupo 6
Até onde pode chegar: dificilmente a façanha de ir às oitavas-de-final acontecerá, mas, caso aconteça, é o limite para o Ciclón.


Acompanhe a coluna: "La Cancha"

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